Pelo direito de surtar

Senti falta de escrever aqui. Não sei quanto tempo essa vontade louca vai permanecer, mas vou aproveitá-la.
Bom, quando criei o blog eu era uma escrava do TCC, hoje eu sou jornalista, trabalho como produtora/pauteira de televisão. Muita coisa na minha vida mudou. Mudanças de pensamento, de amores, de atitudes, é, acho que resolvi ver a vida de uma forma diferente. Não digo que agora nessa fase do blog vou falar diretamente da minha vida, mas de situações, pensamentos daquilo que vejo na rua e que escuto das pessoas.
Existem alguns dias na vida que tu simplesmente não consegue fingir que o mundinho é cor de rosa, e então, tu colocas aquilo tudo que estás sentindo pra fora. Existe um texto que eu adoro, (que vou colocar abaixo), que descreve essa situação, muitas mulheres conseguirão visualizar algum dia de suas vidas.
Pelo direito de surtar – Clarah Averbuck
Toda mulher tem o direito de surtar. Dar piti. Jogar umas coisas no chão e chorar.
De preferência em casa, pra não ameaçar o patrimônio público, mas às vezes também acontece na rua, fazer o quê?
É simples: as mulheres são seres cíclicos, com altos e baixos hormonais.
Tem Tensão Pré-Menstrual, Tensão Menstrual, Tensão Pós-Menstrual.
A culpa é toda dos hormônios. Não podemos controlá-los. Então, desculpe, temos o direito.
Até porque o ato de surtar pode trazer grandes benefícios quando usado com moderação e até prevenir doenças como câncer, úlcera, estresse e tédio profundo.
É por isso que as mulheres têm a vida mais longa do que os homens.
Eles (“eles” quase todos) guardam tudo, acham que surtar é coisa de mulher.
E é mesmo, mas e daí? Se ficar guardando tudo vai acabar como aquele senhor, tendo um dia de fúria.
Todo mundo deveria extravasar de tempo em tempo para evitar maiores danos.
Quem sobrevive guardando no peito aqueles dias frios em que você pisa de meia no chão molhado, ou em que o miojo cai todo na pia quando você vai tentar dar aquela escorridinha, ou em que a ex-namorada sem amor-próprio do seu amor fica ligando doze vezes consecutivas para perturbar a paz alheia, ou em que você passa horas no trânsito sem bateria no iPod, ou em que os pagamentos não entram – mas as contas sim -, ou em que ninguém te escuta, ou em que o gato faz xixi no tapete da sala pela décima vez, ou em que a internet não funciona, ou a calça não entra mais, ou em que você não acerta o delineador e borra a cara inteira, ou tudo isso reunido no mesmo dia infeliz?
O que mais pode uma dama fazer a não ser jogar tudo pra cima e chorar lágrimas incontidas de ódio até secar?
Depois passa e você se sente melhor, livre das toxinas das lágrimas e aliviada por não ter engolido todas aquelas coisas ruins, pronta para sair para a vida com os cabelos esvoaçantes, a alma leve e a pele viçosa.
Mas também não vai achar que é pra sair surtando nos outros a toda hora por qualquer coisinha; isso causaria uma reação em cadeia de surtos e sabe-se lá o que poderia acontecer.
Surte, mas surte direito. Só quando precisar.

Uma resposta para “Pelo direito de surtar”

  1. Alexandre Salvador Disse:

    Muito divertido seus textos, vc tem uma boa perspicácia para isso.

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